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Passagem de plantão de enfermagem com SBAR e pendências claras

Equipe Néri · 5 de junho de 2026 · 6 min de leituraAtualizado em 31 de outubro de 2026

Uma passagem que ajude o próximo turno a começar

Quem recebe um plantão precisa entender o que está acontecendo agora, o que mudou e o que ainda exige acompanhamento. Um relato extenso pode deixar essas informações dispersas. Um resumo curto demais pode esconder a dúvida que deveria ser esclarecida antes da troca de equipe.

Organizar a conversa ajuda a tornar visíveis as prioridades. O ponto de partida é combinar um roteiro que faça sentido para o setor e manter o registro atualizado. A equipe também precisa de espaço para perguntar, confirmar informações e identificar quem assume cada pendência.

Este artigo apresenta uma proposta de organização da comunicação. O roteiro deve ser adaptado e validado pelo serviço; não substitui protocolos assistenciais, avaliação do paciente ou documentação no prontuário.

O que o SBAR organiza

O SBAR é uma estrutura de comunicação apresentada pela AHRQ no programa TeamSTEPPS. Suas quatro partes são situação, contexto, avaliação e recomendação ou solicitação. Elas ajudam a apresentar um assunto de forma organizada. A aplicação concreta depende do cenário e das responsabilidades de cada profissional. [1]

Uma maneira de preparar a conversa é responder a quatro perguntas: qual é a situação que precisa ser comunicada; que contexto é relevante para compreendê-la; qual avaliação está sendo compartilhada; e o que precisa acontecer a seguir. O roteiro organiza o relato, mas não determina sozinho uma conduta clínica.

Antes de preencher qualquer resumo, confirme a identificação no fluxo institucional. Informações incertas devem aparecer como incertas. Se um dado não foi localizado ou ainda precisa ser confirmado, essa condição deve permanecer visível para a equipe que recebe o plantão.

Como deixar uma pendência compreensível

Considere a frase fictícia “ver o exame”. Ela não informa qual exame, se já foi realizado, onde está a solicitação ou quem vai acompanhar. A equipe seguinte precisará reconstruir o contexto antes de agir.

Como exercício de comunicação, a pendência pode ser organizada em quatro campos: assunto; situação atual; próxima ação já definida pela equipe; e responsável pelo acompanhamento. Quando existir um prazo no plano assistencial, ele também deve ser informado com sua origem. Não crie um horário por conveniência para preencher o campo.

Por exemplo: “Resultado do exame solicitado ainda não localizado no sistema; acompanhar a liberação conforme o plano registrado; responsabilidade confirmada com o profissional que recebe o turno”. Esse exemplo é fictício e não define urgência, periodicidade ou conduta para um paciente real.

A mesma lógica pode ser discutida com o setor para transferências, comunicações pendentes e atividades em andamento. O objetivo é evitar que expressões vagas sejam interpretadas de formas diferentes. A fonte da informação deve continuar acessível, principalmente quando o resumo depende de um registro mais detalhado.

A conversa precisa de confirmação

A orientação de handoff da AHRQ inclui clareza na transferência de responsabilidade, reconhecimento por quem recebe e oportunidade para perguntas. Um resumo eletrônico pode apoiar a troca, mas não permite presumir que a outra pessoa leu e compreendeu tudo. [2]

Ao encerrar, a equipe pode verificar quais pendências foram compreendidas e quais dúvidas continuam abertas. Se houver divergência entre o relato e o prontuário, o encaminhamento deve seguir o fluxo do serviço. Não é adequado ocultar a diferença apenas para produzir um resumo aparentemente completo.

Um checklist para discutir com a equipe

Como proposta de organização local, revise estas perguntas antes de adotar um modelo:

  • O resumo identifica claramente a pessoa e o atendimento no fluxo autorizado?
  • O texto distingue informação atual, histórico e dado ainda não confirmado?
  • As pendências descrevem uma próxima ação compreensível, sem inventar condutas?
  • Quem recebe sabe onde consultar o registro que sustenta a informação?
  • Houve espaço para dúvidas e confirmação de responsabilidade?

O checklist deve ser testado com a equipe e ajustado ao setor. Ele não é um protocolo clínico validado nem uma lista universal de campos obrigatórios.

Onde a tecnologia pode apoiar

A Néri estrutura o resumo do turno para apoiar a equipe que assume o plantão. Seu relatório reúne cabeçalho, resumo, pacientes e prioridades, pendências e recomendações; essa organização não deve ser confundida com a aplicação literal do roteiro SBAR. A utilidade desse apoio depende da qualidade das informações disponíveis e da conferência profissional. [3]

Para avaliar uma solução, leve uma situação fictícia da rotina à demonstração. Observe se a equipe consegue localizar o contexto, revisar o resumo e reconhecer o que está pendente. Pergunte também como o fluxo lida com dados ausentes e informações desatualizadas.

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