Passagem de plantão: por que a comunicação na troca de turno define o cuidado
Equipe Néri · 5 de junho de 2026 · 5 min de leitura
Todo paciente internado depende de uma sequência de equipes que se revezam ao longo do dia. O que mantém o cuidado contínuo e seguro entre elas é um único momento: a passagem de plantão. Quando ela falha, a conta chega na forma de eventos adversos.
Por que a passagem de plantão falha
- É feita de memória, sob pressão e no fim de um turno exaustivo.
- Depende de anotações dispersas — papéis, grupos de mensagem, planilhas.
- Não tem estrutura padrão: cada profissional passa do seu jeito.
- Informação crítica (pendências, intercorrências, dispositivos) se perde no meio do caminho.
O método SBAR
Uma das formas mais reconhecidas de estruturar a comunicação clínica é o SBAR, que organiza a passagem em quatro blocos:
- S (Situação) — quem é o paciente e o que está acontecendo agora.
- B (Background/Histórico) — contexto clínico relevante.
- A (Avaliação) — o que a equipe interpreta da situação.
- R (Recomendação) — o que precisa ser feito no próximo turno.
O SBAR funciona porque torna a passagem previsível: quem recebe sabe exatamente o que esperar, e quem entrega não esquece o essencial. Estrutura reduz ambiguidade — e ambiguidade é onde o erro mora.
Estruturar sem sobrecarregar a equipe
O desafio é aplicar essa estrutura sem transformar a passagem em mais um formulário a preencher. A equipe já gasta até 41% do plantão documentando — pedir mais digitação não é a solução.
A proposta da Néri é inverter a lógica: em vez de a equipe escrever a passagem do zero, a IA monta um resumo estruturado a partir dos eventos do turno — sinais relevantes, medicações, intercorrências e pendências. A equipe revisa, ajusta e publica. O resultado é uma passagem completa, padronizada e sem esquecimentos — com menos tempo digitando e mais tempo cuidando.
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