O que o COFEN diz sobre inteligência artificial na enfermagem
Equipe Néri · 13 de junho de 2026 · 6 min de leitura
A inteligência artificial deixou de ser promessa e já faz parte da rotina de muitos serviços de saúde. Diante disso, o Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) tem se posicionado de forma clara: a tecnologia é bem-vinda — desde que seja aliada do cuidado, e não substituta do julgamento profissional.
A posição oficial: IA não substitui o cuidado humano
Em manifestação pública, o COFEN afirma que "a Inteligência Artificial não substitui o cuidado humano". A leitura do Conselho é a de uma tecnologia potencializadora: ao assumir tarefas repetitivas e o processamento de grandes volumes de dados, a IA devolve ao enfermeiro o bem mais escasso do plantão — tempo para olhar o paciente.
A IA deve permitir que os profissionais de Enfermagem dediquem mais tempo e atenção às necessidades emocionais e psicológicas dos pacientes.— Conselho Federal de Enfermagem
Usos que o COFEN reconhece
O Conselho enxerga aplicações legítimas e seguras da IA na enfermagem, entre elas:
- Análise de grandes volumes de dados clínicos e identificação de padrões
- Apoio à decisão e à detecção precoce de agravos
- Telenfermagem: consulta, interconsulta, monitoramento e educação em saúde
- Automação de tarefas burocráticas e administrativas
Vale lembrar que o próprio COFEN passou a usar IA internamente — a assistente "Anna", voltada a orientar normas e automatizar processos administrativos dos Conselhos. Ou seja: a entidade aplica na prática o princípio que defende.
As resoluções que dão o enquadramento
Não existe (ainda) uma resolução única que "regulamente a IA" de ponta a ponta. O enquadramento vem de um conjunto de normas e posições:
- Resolução COFEN 692/2022 — disciplina a atuação da Enfermagem em Saúde Digital e Telenfermagem, sempre alinhada à LGPD.
- Resolução COFEN 809/2026 — trata da atuação do enfermeiro na Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS), reforçando o papel da categoria na escolha de tecnologias seguras.
- Posição pública do COFEN (2024) — define a IA como aliada, com proteção dos postos de trabalho e da qualidade da prática profissional.
O que isso significa na prática
Para um serviço que pensa em adotar IA, três princípios resumem a leitura do COFEN: a responsabilidade e o julgamento clínico continuam do enfermeiro; os dados do paciente precisam de proteção (LGPD, acesso controlado, sem uso indevido para treinar modelos); e a tecnologia deve reduzir burocracia para ampliar o cuidado, não para enxugar equipes.
É exatamente nessa direção que a Néri foi desenhada: uma IA que assume o registro, a passagem de plantão e o monitoramento — devolvendo tempo e segurança para quem cuida, com os dados protegidos no Brasil e em conformidade com a LGPD.
Fontes
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